
Acidentes de trânsito geraram custos de R$ 60 milhões à Saúde no Rio Grande do Norte em 2025. A estimativa é da Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap-RN) e foi mencionada pelo secretário Alexandre Motta, em entrevista à TRIBUNA DO NORTE. Segundo ele, o valor considera os custos de internação das vítimas e de órteses, próteses e materiais especiais (OPME).
Um relatório técnico do Laboratório de Inovação Tecnológica em Saúde, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (LAIS/UFRN), revela o impacto desses acidentes no SUS potiguar. O documento detalha a pressão financeira dos sinistros e a sobrecarga no atendimento da rede hospitalar do estado.
Entre 5 de maio de 2025 e 17 de julho de 2026, a rede estadual registrou 22.478 atendimentos a vítimas de acidentes de trânsito, segundo o LAIS/UFRN. O custo faturado ao SUS foi de R$ 6,36 milhões. A média diária é de 51,20 pacientes – ou seja, a cada hora, mais de duas vítimas davam entrada nos hospitais estaduais do RN.
Do total de atendimentos, 6.891 pessoas precisaram de internação hospitalar prolongada (30,66%) e 843 precisaram de leitos de UTI (3,75%), o recurso mais escasso e custoso do estado. Houve 182 mortes. Os dados do LAIS/UFRN se baseiam nas informações do Prontuário Eletrônico de Pacientes (PEP+RN), sistema implantado em 11 hospitais potiguares, número que deve chegar a 21 unidades.
Alexandre Motta ressalta que o estudo traz dados parciais quanto aos custos dos atendimentos. “Para os nossos custos, o relatório ainda não é completo. Ele faz uma tabulação dos valores de AIH [Autorização de Internação Hospitalar], de quanto a gente gasta […] A gente tem valores maiores, por exemplo, de contratação de pessoal e OPME”, explica.
Para ele, esse custo é um dos gastos mais importantes da Saúde Pública. “São custos evitáveis. Se nós não tivéssemos os acidentes, obviamente esse dinheiro estaria guardado ou seria utilizado em outra coisa. Isso implica em muita gente ocupando o leito que poderia estar sendo direcionado para outros tipos de pacientes”, diz o secretário.
Segundo Ricardo Valentim, professor da UFRN, pesquisador sênior e cofundador do LAIS, o estudo aborda o custo hospitalar, mas faltam ainda, por exemplo, dados de previdência social no caso de vítimas que se afastaram do trabalho ou se aposentaram em razão do acidente. O objetivo do estudo, diz ele, é orientar os gestores públicos quanto à necessidade de políticas públicas que reduzam a violência de trânsito.
Fonte: Tribuna do Norte



