Desde a pandemia da covid-19, o RN gerou mais postos do que registrou demissões, apesar de ter sido o segundo estado com menor saldo do Nordeste | Foto: Alex RégisO Produto Interno Bruto (PIB) do Rio Grande do Norte deve crescer 1% em 2025 e 1,6% em 2026, segundo estimativas do Banco do Brasil compiladas em levantamento da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do RN (Fecomércio-RN). Em ambos os casos, o resultado está abaixo das médias regional e nacional. Já o saldo de empregos aponta que desde a pandemia o estado gerou mais postos de trabalho do que demissões, apesar de ter sido o segundo estado com menor saldo do Nordeste em 2025.A projeção do PIB aponta para um crescimento na geração de riquezas. A estimativa é de que, em 2025, o PIB do RN será o nono pior do Brasil e o sexto no ranking regional – a média nacional fica em +2,3%, e a média do Nordeste é +1,4%. Em 2026, o estado se mantém na mesma posição nacional, mas cai para a segunda pior projeção no Nordeste. A média nacional é de +2,0%, enquanto a média regional é de +2,4%.A análise por setores econômicos revela contrastes, segundo as estimativas do Banco do Brasil: em 2025, o PIB da Indústria deve cair 7,9%, mas o recuo será menor em 2026 (-1,0%); o PIB da Agropecuária deve crescer 5,4% em 2025, mas cai 9,7% em 2026. Comércio e serviços, por sua vez, crescem em ambos os anos: 2,3% e 2,6%, nessa ordem.O PIB é o conjunto de bens e serviços produzidos em determinado período. Cada setor tem um peso nesse cálculo. Por isso, mesmo com as projeções negativas, o setor de comércio e serviços puxa o PIB para uma perspectiva de crescimento. Em 2023, por exemplo, o índice do RN foi composto pelo setor de Serviços (72,4%), Indústria (23,4%) e Agropecuária (4,2%).Além disso, o levantamento aponta que a geração de empregos foi positiva no RN em todos os anos desde a pandemia. Em 2020, o estado registrou o saldo de -3.146, número que foi superado já no ano seguinte, quando o saldo foi de +32.692. Somando o saldo de 2021 a 2025, o RN gerou 123,1 mil empregos formais. Os dados são do Novo Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados).Em 2025, apesar de positivo (+15.705), o resultado significou uma desaceleração frente a 2024, que teve recorde de +34.156 empregos. Regionalmente, o RN teve um saldo superior apenas ao estado de Sergipe (+15,6 mil vagas) no ano passado. No acumulado de janeiro e fevereiro de 2026, o saldo é negativo, com -940 postos de trabalho. Especialistas apontam que o resultado se deve à sazonalidade da atividade agropecuária.Segundo o economista William Figueiredo, da Fecomércio-RN, a geração de empregos no RN ainda está em um nível baixo. “O estado gerou menos emprego do que, por exemplo, Piauí, Paraíba e Maranhão. O reflexo disso está na projeção da estimativa do Banco do Brasil, de crescimento menor do que a média do Nordeste e a média brasileira do ano passado”, frisa.Ele lembra que a projeção para 2024 indicava que o PIB potiguar cresceria 6,1% naquele ano, acima das médias nacional e regional. “Foi o segundo estado [depois da Paraíba, com 6,6%] que mais cresceu em 2024, puxado, sobretudo, pelo setor de comércio e serviços. Ficar crescendo 6% todo ano é muito difícil. A régua fica muito alta”, explica.A projeção para 2026 pode estar superestimada, na avaliação do economista Arthur Néo, vice-presidente do Conselho Regional de Economia do RN. “Tudo vai depender do desenrolar da guerra [no Oriente Médio] e do período eleitoral que se aproxima. Nesses períodos, devido à instabilidade que se causa na economia, cria-se um ambiente de muitas incertezas. Acredito que a gente ainda vai permanecer nesse patamar de 1,2% no máximo”, diz.Para ele, a limitação de investimentos devido ao comprometimento de recursos públicos com a receita corrente contribui para a falta de investimentos privados. Consequentemente, há uma menor capacidade de produção e de geração das riquezas que constituem o PIB. “Temos que melhorar o nosso parque energético para atrair a indústria; melhorar o ambiente de negócios, com mais dinamismo e criar um ambiente de crédito.”Indústria projeta retração de 7,9% para 2025Na avaliação de William Figueiredo, se não fosse o desempenho da indústria, com retração projetada em 7,9% para 2025, “o Rio Grande do Norte teria tido no ano passado uma performance pelo menos similar à brasileira [no PIB]”. O economista diz que a indústria de refino de petróleo puxou o desempenho do setor para baixo. Em 2026, a retração prevista deve ser puxada pelos biocombustíveis.No acumulado de 2025, a indústria potiguar teve retração de 12,1%, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), sendo que esse resultado foi o segundo pior do País. Nacionalmente, a produção industrial cresceu 0,6%.Para o presidente da Federação das Indústrias do RN (Fiern), Roberto Serquiz, o setor foi impactado pela retração no setor de petróleo e gás, que concentra grande parte do PIB industrial do estado. “A queda não é generalizada. Segmentos como alimentos, confecções e extrativa mineral apresentaram crescimento, evidenciando o avanço da diversificação da indústria potiguar”, ressalta.Segundo ele, a indústria está mudando de perfil no estado, com menos dependência de um único setor, protagonismo da indústria de transformação e crescimento em segmentos que geram mais empregos e agregam mais valor.A indústria foi o setor que mais gerou empregos em 2025 no estado (5.025 vagas), mas abriu 2026 com saldo negativo (-801 até fevereiro). Sobre isso, Serquiz diz que o saldo inicial “está concentrado em setores específicos, especialmente petróleo e gás, além de efeitos sazonais, como na cadeia do açúcar”.Para 2026, o cenário exige cautela. “Mas já aponta para uma inflexão: saímos de uma retração concentrada para uma base mais equilibrada, criando condições mais sólidas para a retomada”, afirma.O economista Arthur Néo avalia que o RN ainda é muito dependente do setor de comércio e serviços. Apesar de ser o que mais emprega e contribui no crescimento do PIB, o setor tem menor valor agregado em relação a outros segmentos, explica.“O RN tem baixíssima densidade industrial – não temos capacidade de diversificação de várias indústrias e ficamos muito vulneráveis a qualquer choque. No estado, a questão de logística ainda é muito limitada. A gente tem dificuldade, principalmente, no escoamento de produção”, diz Néo.Comércio e serviçosWilliam Figueiredo, da Fecomércio-RN, destaca que o setor de comércio e serviços deve sustentar o crescimento do PIB potiguar. Parte do otimismo em torno do setor está no crescimento da atividade turística. O Aeroporto Internacional de Natal, por exemplo, ampliou em 14,1% a movimentação de passageiros no 1º bimestre de 2026, na comparação com o início de 2025.Já a movimentação exclusivamente de passageiros em voos internacionais foi recorde em 2025 no Aeroporto Internacional de Natal (100,5 mil). “O turismo performou muito bem nesse primeiro bimestre, por conta do aumento das rotas e das ações de promoção do Estado”, diz.As expectativas do setor seguem positivas, segundo Marcelo Queiroz, presidente da Fecomércio-RN, “principalmente com a continuidade da geração de emprego e renda, da redução da inflação e da taxa de juros, além da queda da inadimplência, fatores que fortalecem o consumo das famílias e estimulam a atividade econômica”.William Figueiredo, economista: geração de empregos no RN ainda está em um nível baixo | Foto: Pedro Henrique BrandaoAgropecuária deve puxar PIB de 2026 para baixoA projeção para 2026 deve ser puxada para baixo devido ao desempenho esperado para o campo, diz William Figueiredo. A retração é maior do que a esperada para a indústria e revela um constante relevante, sendo que em 2025 o PIB da agropecuária potiguar deve ser positivo.Deve haver ainda uma diferença relevante nas quatro principais produções do campo potiguar, segundo o IBGE. Enquanto em 2025 a produção de cana-de-açúcar, mandioca, banana e castanha-de-caju foi positiva, espera-se queda em todos esses itens para 2026. A mandioca, por exemplo, cresceu +56,3%, mas deve cair -48,3%.Para a Federação da Agricultura, Pecuária e Pesca do RN (Faern), os dados do levantamento refletem uma característica estrutural da agropecuária: “a presença de maior volatilidade em relação aos demais setores”.Em nota, a entidade explica que um crescimento mais elevado em um ano tende a ser seguido por uma acomodação no período seguinte, devido, por exemplo, às condições produtivas e climáticas.O comportamento climático ao longo de 2026 será um fator determinante para a produção, com previsão de El Niño no segundo semestre do ano. O fenômeno exige atenção, pois pode aumentar o risco de irregularidade de chuvas no Nordeste.Em 2026, a expectativa no campo é de “um cenário mais moderado, mas que não deve ser interpretado como perda estrutural de capacidade do setor”, diz a entidade.Mercado de trabalhoA tendência observada na série histórica é de que 2026 também seja um ano de mais geração de empregos do que demissões no RN. “Mais gente trabalhando significa mais gente empregada e mais gente com crédito, consumindo com o salário dela”, pontua Figueiredo. A geração de emprego e renda, por sua vez, impacta o PIB.A taxa de desemprego no RN no quarto semestre de 2025 foi de 6,7%, enquanto a taxa anual caiu para 8,1% – a menor taxa da série histórica do IBGE. No RN, a taxa de informalidade (42,1%) é a menor do Nordeste, mas está acima da média nacional (37,6%).Um destaque do levantamento da Fecomércio-RN são as cidades que mais perderam vagas de emprego formal em 2025, com Mossoró (-1.393), a segunda maior economia do estado, liderando o ranking.Fonte Tribuna do Norte Navegação de PostOAB/RN lança cartilha para orientar população sobre golpe do falso advogado