
Os egressos da Educação Profissional e Tecnológica (EPT) no Rio Grande do Norte ganham mais, têm maior empregabilidade e têm maiores chances de ingressar no ensino superior em comparação aos estudantes do ensino médio regular.
As conclusões são de estudo do Itaú Educação e Trabalho, segundo o qual, após nove anos de formação, a remuneração média de quem cursou a EPT no RN foi de R$ 3,4 mil, contra R$ 2,2 mil daqueles que fizeram apenas o ensino médio tradicional.
Conforme o estudo, modalidades como o técnico subsequente garantem uma inserção mais rápida no mercado formal, com taxas de empregabilidade que superam os 50%. A vantagem da formação técnica vai além: 63,5% dos concluintes do técnico integrado no RN chegam à graduação, contra 31,2% dos que cursaram o ensino tradicional.
A realidade local se reflete no Brasil. Em nível nacional, a diferença salarial após nove anos é de R$ 3,68 mil para quem cursou EPT e R$ 2,89 mil para quem não cursou. No Brasil, 54,1% dos ex-alunos do técnico integrado entraram na faculdade, ante 39,1% do ensino médio regular.
“A formação técnica pode reduzir a distância entre a escola e o mundo do trabalho. O jovem concluiu essa etapa com conhecimento e competências profissionais que ampliam suas possibilidades de inserção e podem tornar essa transição rápida e qualificada”, explica Silvana Oliveira, superintendente do Itaú Educação e Trabalho.
Segundo ela, os dados do RN estão relacionados à forma como a EPT é trabalhada no estado. “A proposta do Estado não coloca a formação profissional em oposição à formação acadêmica. Ao contrário, trabalha com a ideia de formação humana integral, articulando a formação geral, a formação técnica, a pesquisa, os projetos integradores e a preparação para a continuidade dos estudos”, afirma.
Entre os concluintes de 2022 que constam na pesquisa, 52,3% dos egressos do técnico subsequente e 51% dos egressos do ensino médio concomitante à EPT tinham emprego formal. Por sua vez, 23,3% dos concluintes do médio regular estavam nessa condição. O dado considera pessoas que tiveram ao menos um vínculo formal no ano seguinte à formatura.
Na prática, o ambiente e as experiências a que os alunos são expostos em sua formação técnica ampliam o leque de possibilidades, sendo que muitos concluem o ensino médio e seguem para o ensino superior. “O dado de 63,5% não deve ser atribuído a uma única causa. Ele é coerente com o modelo de EPT que procura formar o jovem para diferentes possibilidades de futuro, para o trabalho, para a universidade e para a continuidade da aprendizagem ao longo da vida”, diz Silvana Oliveira.
“A educação profissional combina a formação geral do ensino médio com conhecimentos técnicos e aproxima o estudante das transformações do mundo do trabalho, sem retirar dele a perspectiva de ingresso no ensino superior”, avalia a secretária estadual de Educação, Socorro Batista.
A secretária diz que o Governo do Estado atua para interiorizar e diversificar a educação profissional, considerando também as características econômicas e produtivas de cada região.
Desde 2019, a oferta de vagas cresceu 250% na rede estadual: 7.058 matrículas na educação profissional passaram a 25.007, em 2026. Já o número de unidades com oferta dessa modalidade passou de 69 para 144.
Hoje, o Instituto Estadual de Educação Profissional, Tecnologia e Inovação do RN (IERN) conta com sete campi em funcionamento, um em fase de implantação e outro em planejamento. Para o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do RN (IFRN), o sucesso da EPT está no modelo de formação integral, que une a base técnica à científica e humanística. “A EPT amplia as possibilidades de futuro. Ela não limita o jovem a uma escolha entre trabalhar ou continuar estudando”, afirma Anna Catharina Dantas, pró-reitora de Ensino da instituição.
“Os melhores indicadores de formalização, qualidade da inserção profissional e remuneração mostram a importância de ampliar o acesso da população a uma educação profissional pública, gratuita, inclusiva e de qualidade”, diz Catharina Dantas. O IFRN conta com 25 campi e registrou 40.827 matrículas na EPT em 2025.
Fonte: Tribuna do Norte



