A Polícia Civil apura duas movimentações sobre possíveis irregularidades financeiras no São Paulo. Em uma das frentes, investiga-se R$ 1,5 milhão recebido por depósitos em dinheiro nas contas do presidente Julio Casares, além de 35 saques nas contas do clube totalizando R$ 11 milhões.

De acordo com relatórios do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) obtidos pelo Uol, o valor entrou nas contas do presidente são-paulino entre janeiro de 2023 e maio de 2025.

Isto significa a maior fonte de renda do dirigente no período. Os advogados de Casares dizem que a origem da quantia é “lícita e legítima”

Os depósitos aconteceram em valores pequenos, com casos de até 12 operações fracionadas no mesmo dia, somando R$ 49 mil. O limite para que o Coaf seja notificado automaticamente é de R$ 50 mil.

Isto caracteriza o que o Coaf define como “smurfing”, uma técnica usada para burlar sistemas de investigação.

Casares justificou estes recebimentos ao banco como referentes a bonificações de campeonatos do São Paulo. Em 2023, a instituição financeira emitiu um alerta ao Coaf apontando movimentações consideradas fora do padrão.

Mara Casares, diretora do São Paulo — Foto: Reprodução / Instagram

Ainda segundo a investigação, a conta do presidente tricolor era usada para custear despesas de sua ex-mulher Mara Casares.

Ela era diretora feminina, cultural e de eventos do clube e também conselheira, mas se afastou dos cargos após ser revelado pelo ge um esquema de exploração clandestina de um camarote no Morumbis, com seu envolvimento e de Douglas Schwartzmann.

Em nota, os advogados de Julio Casares fizeram a seguinte declaração:

“Os advogados Daniel Bialski e Bruno Borragine, que representam a defesa particular de Júlio Casares, afirmam que todas as movimentações financeiras de Júlio, contidas nos relatórios do COAF, possuem origem licita e legitima, com lastro compatível com a evolução de sua capacidade financeira.

Esclareça-se que antes de assumir a presidência do São Paulo Futebol Clube, nosso constituído desempenhou e exerceu funções de alta direção na iniciativa privada, com boa remuneração.

Ademais, a origem e o lastro de tais movimentações serão detalhadas e esclarecidas no curso das investigações – com a apresentação de provas, declarações e informações fiscais – justamente para rebater qualquer ilação que se fizer e, ainda mais porque não tiveram acesso à integralidade do inquérito policial”.

Fonte: Portal GE