Natália: “Maioria do povo reprova governo que é aliado de um vírus”

Vista com bons olhos por parlamentares potiguares que fazem oposição ao governo federal, a pesquisa divulgada pelo Ipec, nesta semana, que mostra o ex-presidente Lula (PT) com 49% dos votos para as eleições gerais de 2022, conquistou descrédito entre integrantes da ala bolsonarista no Rio Grande do Norte. O resultado apresenta o petista com 26 pontos percentuais à frente do atual presidente, Jair Bolsonaro (sem partido) – sendo eleito no primeiro turno na disputa pelo Palácio do Planalto. O mesmo instituto fez um outro levantamento que também movimentou os bastidores da política. De acordo com o Ipec, 49% da população avaliam o governo federal como ruim/péssimo. Entre os que têm essa compressão, está a deputada federal Natália Bonavides (PT). Para ela, a atuação do capitão reformado no combate à pandemia da covid-19 fez com que o Brasil vivenciasse uma das piores crises sanitárias da história. “O governo Bolsonaro é um governo muito ruim. É essa a percepção que as pesquisas estão captando. A maioria do povo reprova um governo que é aliado de um vírus, responsável pela morte de mais 500 mil pessoas, que privatiza nossas empresas públicas, aumenta o preço de tudo e que jogou milhões no desemprego e na fome”, disparou. A petista acredita que o favoritismo do eleitorado a Lula, conforme pesquisas, se deve aos desdobramentos que os casos envolvendo o ex-presidente estão tendo. Na quinta-feira 24, o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), declarou o então juiz Sergio Moro suspeito em mais dois processos relacionados à maior liderança do PT. A decisão vale para os processos relacionados a um sítio em Atibaia (SP) e a supostas vantagens indevidas envolvendo imóveis em São Paulo, como o Instituto Lula. Com isso, os dois processos terão de recomeçar do zero, e as provas não poderão ser aproveitadas. Como Gilmar Mendes decidiu individualmente, cabe recurso do Ministério Público Federal. “As pessoas querem uma alternativa para esse projeto de morte e de fome, e a alternativa é Lula. Ele representa a esperança. Lula era a alternativa em 2018, mas foi impedido de concorrer. Agora, com a confirmação de que as acusações contra ele eram mentiras e suas condenações foram farsas jurídicas, Lula tem todas as condições de derrotar o bolsonarismo”, refletiu. Nessa mesma linha de oposição, o deputado federal Rafael Motta (PSB) apontou o colapso na saúde e a instabilidade econômica como fatores para os resultados negativos conquistados por Bolsonaro nas pesquisas. Tal cenário, na visão do parlamentar, contribui para o crescimento de Lula nos levantamentos, já que o petista é o principal adversário político do atual presidente. “A queda na aprovação do governo Bolsonaro é natural. A gestão mostra dia após dia que a irresponsabilidade custou milhares de vida dos brasileiros sem cuidar da economia. Inflação, desemprego e milhões de pessoas em luto é o saldo até agora. As pessoas sentem o desastre no cotidiano, seja no mercado ou nas notícias diárias de pessoas conhecidas e até familiares mortos pela pandemia”, justificou. E continuou: “O crescimento das intenções de voto do ex-presidente Lula parece um movimento natural pela insatisfação com a gestão atual. Vamos acompanhar se a movimentação se confirma no decorrer do próximo ano até as eleições”. O partido de Motta tem costurado uma reaproximação com o PT, a fim de fortalecer a candidatura de Lula em 2022. O movimento foi formalizado pelo PSB com a filiação do governador do Maranhão, Flávio Dino, antes no PCdoB, e do deputado federal Marcelo Freixo, vindo do PSOL. Aliados de Lula, Dino e Freixo dizem querer trabalhar por uma unidade da esquerda na eleição presidencial. No partido, a avaliação é de que a candidatura do ex-presidente é a mais forte para representar o campo. O PSB, no entanto, vinha caminhando para formar uma terceira via. Desde 2019, o partido integra bloco com PDT, Rede e PV, que já conta com a pré-candidatura de Ciro Gomes. Na contramão dos demais colegas de bancada citados nesta matéria, surge o deputado federal general Girão (PSL). Aliado do governo federal, o parlamentar teceu críticas a Lula, fazendo alusão a Lei da Ficha Limpa, que impede pessoas condenadas por decisão de órgão colegiado de serem eleitas. O ex-presidente, no entanto, recuperou os direitos políticos após o ministro Edson Fachin, do STF, em 8 de março, anular as condenações do petista na Lava Jato de Curitiba. “Se existe alguém nesse país que representa a Lei da Ficha Suja, essa pessoa é o ex-presidiário Lula. Então, se a Justiça teimar em rasgar as leis brasileiras e decidir que ele pode concorrer, nós vamos ver se ele terá coragem de entrar para perder. Além disso, a pesquisa que nós acreditamos é a das ruas. E prova disso é a multidão que recepcionou o presidente Jair Bolsonaro aqui no Rio Grande do Norte. Quem mostra a aprovação de um gestor é o povo e o povo está com Bolsonaro. Tem sido assim nos quatro cantos do país, em todos os lugares que o presidente tem visitado e em 2022 não será diferente”, pontou. Em entrevista nesta sexta-feira 25 à TV PT, Lula, disse que viu “muita gente falando que eu estava morto, que o Lula já era, mas o que não sabem é da relação que eu tenho com a fé. Se eu voltar, vai ser para consertar o país e somente o PT é capaz de consertar o Brasil”. Já Bolsonaro, voltou a defender o voto impresso e a atacar o STF. “O Datafolha disse que eu não ia para o segundo turno. Se fosse, não ganharia de ninguém, nem do Cabo Daciolo. O que aconteceu? Por isso que nós queremos o voto auditável. Tem alguns que, lamentavelmente, do STF, fazem militância contra o voto auditável. Tiraram o Lula da cadeia, tornaram elegível, para quê? Elegê-lo presidente na fraude? Se o Congresso Nacional promulgar a peça do voto auditável da Bia Kicis, teremos eleições auditáveis no ano que vem. E ponto final”, opinou.

Fonte: Agora/RN

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