Meteoro duplamente raro é visto cruzando o céu do Brasil

Um meteoro duplamente raro cruzou o céu do Rio Grande do Sul na noite do último domingo, 30. Além de se tratar de um fenômeno conhecido como earthgrazer, o astro também é o primeiro meteoro de origem interestelar registrado pela da Bramon (Rede Brasileira de Meteoros). O evento foi gravado por câmeras do observatório espacial Heller & Jung, em Taquara, no Rio Grande do Sul, e de uma estação de monitoramento em Tangará, em Santa Catarina. Apesar de as imagens não terem capturado a trajetória completa do corpo celeste, algumas características levam astrônomos a conclusão de que se trate de algo incomum. “Um earthgrazer é um meteoro que atinge a atmosfera da Terra de raspão, percorre as camadas mais altas do nosso planeta e, dependendo do tamanho e velocidade, retorna ao espaço”, afirma o mantenedor da estação de monitoramento em Tangaré, Thiago Boesing. “No caso, ele adentrou a atmosfera em um ângulo de 6,1°, em relação ao solo.” “Geralmente, um earthgrazer também não brilha tão intensamente e não apresenta surtos de luminosidade (explosões) em relação aos demais meteoros”, diz o mantenedor do Heller&Jung, Carlos Fernando Jung. “Ele começou a brilhar a 162,7 km de altitude a sul de Capão Comprido, no Rio Grande do Sul, seguiu em direção ao norte a 230,7 mil km/h, percorrendo 243,6 km em 3,8 segundos, e desapareceu a 137 km de altitude, a leste de Carlos Barbosa, outra cidade no estado”, completa. Segundo o diretor técnico da Bramon, Marcelo Zurita, o meteoro do último domingo tinha uma velocidade surpreendente: quando atingiu a Terra, sua velocidade sideral (relativa ao Sol) era superior a 46 km/s. Dadas as circunstâncias, ele acredita que o impacto com os gases atmosféricos tenham impulsionado de volta ao espaço — o mesmo efeito que ocorre quando uma pedra é arremessada rente a um lago, por exemplo. A rápida velocidade do astro também justificaria a hipótese de ele ser oriundo de fora do Sistema Solar. De acordo com o diretor, isso pode ser explicado a partir de um cálculo conhecido como “velocidade de escape”. “Em física, chamamos de velocidade de escape a mínima velocidade necessária que qualquer objeto deve atingir para escapar da atração gravitacional de corpos massivos, como planetas e estrelas. No caso do Sol, esta velocidade é de 42km/s”, diz. “Antes de adentrar a atmosfera, o objeto viajava a uma velocidade de 46km/s. Isso é incompatível com qualquer objeto que orbita em torno do Sol”.

O registro pode ser considerado o mais importante já realizado pela Bramon e, sobretudo, pela estação de monitoramento em Tangará, que há pouco tempo contribi com a rede. Apesar de Boesing já ter capturado diversos meteoros de alta magnitude, para ele, este é, sem dúvida, o mais significativo. “Além de ser um earthgrazer, o meteoro é também de origem interestelar, o que é um campo novo para a Bramon”, afirma. “Vale ressaltar que ainda existem poucos estudos sobre isso, o que traz uma considerável possibilidade de um conhecimento científico mais aprofundado sobre o assunto.

Fonte:  Agora RN

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